01/12/2003 21:54
Velho

Quem é este que está diante de mim,
Reprimido por todos os seus medos infantis?
Por que a sua presença ainda persiste aqui?
Transformado de ser para lágrimas sem fim,
Ele pede que qualquer um enxugue suas lágrimas.
Mas não há ninguém que lute contra seus medos,
Não há ninguém que segure forte a sua mão,
Não há ninguém que entenda essa dor inominável.
Esse velho homem grita com as forças que lhe restam:
- Eu não sei o que fazer, por isso irei morrer!
Vendo essa tristeza parada em minha frente,
Ajo de forma errada e me angustio por dois!
Enquanto isso está em mim, eu sou ele.
Ao olhar com os olhos desse velho homem,
Chego ao topo da montanha e vejo a pedra retornar ao início.
Qual razão o levou a empurrá-la até lá em cima,
Deixando-a cair no final de tantas batalhas e esforços?
Devo eu repetir tudo o que ele tolamente fez?
Não consigo mais tirar isso de mim e permaneço nele:
Razão, emoção, sentimentos, afetos, vida, morte...
Já não há mais diferenciação entre o que é certo ou errado,
Quem sou eu, você, isso, ou aquilo que me fez angústia?
Só há dor, em resposta a este velho homem,
Só a dor consegue diferenciar-se no meio desta confusão,
Só à dor posso responder que minha vida ainda persiste!
Esse velho homem sou eu, é isso, é vida e é morte...






enviada por Hades






Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)