14/11/2003 14:35
Limite

Suas garras rasgam minha garganta e me calam.
A angústia de não poder falar me faz escrever,
Mas quando passo a esse ato, meus dedos são amputados.
Em gestos tento elaborar o meu dizer a você.
No entanto, a gangrena corroi rapidamente meus braços,
Sinto que ao me desmanchar estou sentindo a verdade.
Essa estranha não se delineia nem pra mim ou pra você.
Há apenas um sentir que é impossível de dizer!
Não quero mais senti-la, mas uma vez aqui, não voltarei!
Essa ida será doentia ou sadia, quem poderá me responder?
Sei que a verdade é minha própria resposta, mas como fazer para não doer?
Mesmo que eu tente nomear essa dor, ela é inominável:
Você, ressentimento, sentimeto, dor, pavor, reconciliação,
Repetir, sentir, você, amor, receio, creio, não...
Parar de buscar não adianta, continuar será que adianta?
Pelo menos irei a diante para ver onde irá me levar,
Mesmo que ao céu ou ao inferno, ao amor ou a morte!

enviada por Hades






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